O mindfulness pode ser uma boa alternativa para aliviar sintomas de ansiedade e de depressão, pois ajuda a viver o “aqui e agora”.

Uma vez, escutei que nossas conexões cerebrais permitem ultrapassar as barreiras de tempo e de espaço. Se você se imaginar agora na praia, tomando uma água de coco embaixo de uma sombra, seu cérebro o levará para esse lugar e você poderá até sentir emoções positivas, como se realmente fosse um acontecimento real. Da mesma forma, você sofre ao se lembrar de um momento triste. Ou pior, sofre simplesmente por imaginar algo desagradável acontecendo.

Prever acontecimentos futuros ou sofrer com o passado são situações comuns para pessoas que possuem sintomas de ansiedade e de depressão. A intervenção baseada na atenção plena, também conhecida como mindfulness, apresenta-se como uma boa alternativa para canalizar as emoções e, principalmente, viver o “aqui e agora”.

Trata-se de uma técnica de meditação focada na atenção plena no que está acontecendo no momento presente. Procura-se ter consciência de sons, de cheiros e de demais experiências que se está vivenciando. Isso inclui identificar os pensamentos recorrentes, ainda que estes sejam de situações passadas ou previstas para acontecer. No entanto, em vez de buscar eliminar ou evitar esses pensamentos, a técnica instiga a apenas aceitá-los e voltar a atenção completa para o que realmente está acontecendo fora da mente, ou seja, no ambiente.

Vários estudos apontam os benefícios da prática em diversos contextos: na melhora da dor crônica e da depressão, no bem-estar psicológico de adultos com câncer avançado, em abordagens comportamentais para crianças e jovens. Além disso, essa técnica oferece benefícios terapêuticos para indivíduos com psicose, também é discutida para tratamento de distúrbios de pele e até mesmo como terapêutica complementar na atuação preventiva e no tratamento da diabetes mellitus.

A personagem Candance, da animação “Phineas e Ferb” é marcada pela sua constante agitação e até mesmo desespero para mostrar aos seus pais as criações mirabolantes dos seus irmãos. Embora seja tratado de forma cômica, muitas vezes sofri com a ansiedade da jovem para finalmente dedurar os caçulas. No entanto — alerta de spoiler — ela nunca consegue. Às vezes bastava pedir para que seus pais olhassem para trás ou para cima, mas a ansiedade da garota era tão forte que a impedia de pensar com clareza, em meu ponto de vista, e a levava aos maus resultados. Se eu tivesse a chance de conhecê-la, indicaria o mindfulness.

O mesmo eu faria se pudesse ter uma conversa com a antiga eu. Quantas vezes já antecipei problemas, fazendo com o que o meu cérebro reagisse como se eles realmente estivessem acontecendo. Segundo o filósofo Sêneca, “nós sofremos mais na imaginação do que na realidade” e esse é mais um excelente argumento para indicar a prática de mindfulness.

“Quando a nossa atenção está no que vivenciamos aqui e agora, não estamos pensando no futuro, então, não podemos estar preocupados com ele.” Regina Gianetti, coach e especialista em mindfulness.

Texto por Bárbara Caixeta de Carvalho Leão.

Revisão por Eduarda Nogueira.

Imagem por Pixabay.

>> Este texto reflete exclusivamente a opinião do autor, e não a da Equipe MT!

O aluno no centro do palco. instagram.com/medtalksufu/

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